back to top

Democratização da experiência de consumo: lições da pandemia para as indústrias de alimentos e bebidas

Novos comportamentos do consumidor e insights de empresas de diferentes segmentos ajudam na inspiração de marcas para investir em relacionamentos com maior empatia


Quando um cliente acessa o aplicativo de uma marca para fazer compras, as expectativas dele são atendidas? Se a empresa nunca pensou em tornar a experiência do consumidor memorável, independente do gênero, idade e classe social, é bom se preparar. Democratizar o acesso das pessoas ao seu produto ou serviço não é tendência, mas urgência.

Além de preço e qualidade, o consumidor quer se relacionar com marcas empáticas, com uma comunicação inteligível e canais acessíveis. E se a empresa atuar com responsabilidade social e ambiental, então a lista de desejos do cliente está completa.

“Durante a pandemia do Coronavírus, por exemplo, companhias que entenderam as dores do consumidor e se posicionaram de forma solidária, criando promoções e ações sociais ou mantendo os postos de trabalho dos colaboradores, ganharam a simpatia da opinião pública e viram as vendas aumentar”, revela a gerente de pesquisa e insights da Consumoteca, Marina Roale.

Um case de sucesso nesse sentido é o Magazine Luiza, que permitiu aos profissionais autônomos trabalharem de casa, vendendo os produtos da rede no próprio market place, com comissões de 12%. Isso gerou renda extra para quem perdeu o emprego na quarentena. E para quem produz, foi possível criar uma loja virtual própria, no site da empresa.

“A rede varejista identificou uma grande fonte de angústia dos clientes e demonstrou empatia. Isso só é possível quando a marca conhece profundamente o público e avalia os recursos mais adequados para estreitar o relacionamento, potencializando a experiência de consumo”, esclarece Marina.

Ainda de acordo com a pesquisadora, delimitar o alcance dos produtos a camadas específicas da sociedade é comum na indústria, porém, os critérios que definem as classes sociais estão cada vez mais diluídos, por isso, a marca deve considerar necessidades estruturais dos indivíduos e não só o poder aquisitivo, já que essa classificação hoje é falha.

“Ao ampliar a experiência de consumo no universo digital, o primeiro passo é avaliar as condições de acesso à internet em diferentes grupos e criar soluções para quem tem dificuldades em se manter on-line, seja por causa de um pacote de dados pré-pago ou pela baixa qualidade de sinal. É assim que a personalização deve ser feita”, explica Marina.

Outras ideias para a democratização da customer experience é apostar em planos de cashbackprogramas de educação financeira, técnica ou tecnológica, dentro do contexto da marca, e ações que empoderem o consumidor.

Netflix, AMBEV, IFood e Nestlé são algumas das organizações que já entenderam essa realidade e adotaram essa prática.

Não é só sobre vender, mas é sobre transformar para conquistar.

Confira outros exemplos de iniciativas de marcas que adotaram práticas de empatia desde o início da pandemia:

NESTLÊ
  • A subsidiária brasileira da fabricante de alimentos Nestlé criou o C-Lab, um centro de pesquisa interno que reuniu as áreas de consumo e marketing para conduzir estudos sobre o comportamento do consumidor, na hora de comprar alimentos. “O C-lab consegue ter a mão no pulso do consumidor e nos apresentar agilmente informações sobre como ele tem se comportado nesse momento sensível. O que esses dados nos mostram é que o consumidor tem mesclado itens saudáveis com produtos mais indulgentes na cesta de compras, o que demonstra um olhar para os benefícios da alimentação para a saúde e a busca por produtos que tragam conforto nesse cenário”, explicou Frank Pflaumer, vice-presidente de comunicação e marketing da companhia, em entrevista à Revista Lide.
  • O IFood antecipou R$ 2,5 bilhões a custo zero para manter o fluxo de caixa de empresas e diminuiu em 20% as comissões cobradas a restaurantes, nos pedidos realizados no app, no início da pandemia;
AMBEV
  • A AMBEV doou 1,2 milhão de unidades de álcool em gel para hospitais públicos e e 700 mil garrafas de água a hospitais e comunidades pobres do Brasil. Além disso, linhas de produção das fábricas de bebidas passaram a fabricar álcool gel e máscaras. A atuação em combate ao novo Coronavírus rende uma premiação da ONU à cervejaria, em julho do ano passado: SDG Action Solidarity Awards (“Prêmio de Ação de Solidariedade dos ODS — Objetivos de Desenvolvimento Sustentável”). Em março deste ano, a fabricante de bebidas anunciou a conversão de parte de uma de suas cervejarias, no interior de São Paulo, para fabricar e envasar oxigênio hospitalar para doar para hospitais e unidades de saúde do Estado.
  • A Cacau Show destinou, nas vésperas das Páscoas de 2020 e deste ano, 2 milhões de ovos de páscoa a hospitais, comunidades vulneráveis, empresas de serviços essenciais e ONGs distribuídas em São Paulo, interior e Rio de Janeiro.

Democratizar o acesso dos consumidores aos produtos ou serviços de uma marca já deixou de ser uma tendência para se consolidar como movimento. E exige ações urgentes das empresas para gerar maior empatia no relacionamento com seus públicos. Para você, as marcas estão realmente conectadas com este novo momento e prontas para agir? Conte para nós!

Veja mais

DEIXE UM COMENTÁRIO

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui
Captcha verification failed!
Falha na pontuação do usuário captcha. Por favor, entre em contato conosco!