back to top

Análise sensorial muito além da qualidade: dicas básicas para implementar na indústria alimentícia

Esta ferramenta tem sido cada vez mais explorada pelas empresas não somente para assegurar a qualidade dos produtos, mas também no seu desenvolvimento e na investigação das preferências e das percepções dos consumidores.


 

Instigadas pela crescente busca dos consumidores por novas experiências, pela entrega perfeita de sabor sem abrir mão da qualidade dos produtos, as indústrias de alimentos e bebidas estão apostando em uma ferramenta que tem se tornado bem estratégica para os negócios: a análise sensorial. Afinal, os alimentos, muito além da função nutricional, despertam sensações prazerosas e de bem-estar.

E é preciso considerar também o atual momento no qual o consumidor aprendeu a racionalizar a compra, está aberto a outras marcas e valoriza cada vez mais o custo-benefício.

Disciplina da ciência, a análise sensorial tem evoluído a passos largos nas últimas décadas como instrumento valioso não só na qualidade do produto, mas também no seu processo de desenvolvimento e definição de aceitabilidade, pela investigação minuciosa das preferências e das percepções do consumidor em relação ao produto, através da análise dos sentidos.  

Ela investiga e analisa características decisivas para a compra de um alimento, que podem determinar, ou não, sua aceitação. Aparência, cor, textura, odor e sabor são detalhadamente interpretados para compreender quais sensações o produto desperta no consumidor e de que maneira eles podem ser potencializados para proporcionar uma experiência de consumo prazerosa.

Diferentes atividades da indústria de alimentos e bebidas são beneficiadas pelo trabalho de análise sensorial:

  • Na criação de novos produtos e definição da aceitabilidade pelo consumidor.
  • Monitoramento do mercado com mapa de produto “Product mapping” (que identifica a posição de um produto em relação aos seus concorrentes).
  • Em projetos de reformulação do produto.
  • Nos estudos de tempo de vida útil do produto.
  • Na detecção de contaminantes estranhos ao produto.
  • E nas especificações e controle da qualidade.

Mas o que é preciso considerar para implementar ou ampliar a estrutura de análise sensorial no dia a dia da indústria de alimentos para atender a maioria das atividades listadas acima? Separamos, abaixo, algumas dicas e orientações básicas:

 

Definir uma equipe de trabalho

  • Profissionais com formações e habilidades diferentes podem atuar em um laboratório de análise sensorial, em todas as funções: administrativas/gerencial, técnico/científico e operacional. A quantidade de pessoas da equipe é variável conforme as demandas da própria empresa. Normalmente, o laboratório é gerenciado por um engenheiro de alimentos ou químico. Esses profissionais especializados são responsáveis por aplicar diferentes métodos analíticos a fim de avaliar os produtos e medir as percepções e reações provocadas nos consumidores.
  • Além da equipe voltada prioritariamente às atividades de controle da qualidade, é interessante contar com profissional dedicado ao processo de pesquisa e desenvolvimento de novos produtos e também ao monitoramento de aceitabilidade do mercado.
  • Nas normas ISO 13300-1 e 13300-2 há recomendações detalhadas sobre as responsabilidades, recrutamento e treinamento para o grupo de trabalho de um laboratório de avaliação sensorial.

 

Escolher ambiente e estrutura específicos

  • O trabalho sensorial pede de condições ambientais adequadas para não influenciar nos resultados. É necessário destinar uma área específica para os testes, reservada e com cabines individuais; e uma outra área somente para preparo da amostra.
  • O local deve ser de fácil acesso, em uma área calma, sem distrações, com redução de ruídos e odores e com iluminação e temperatura controladas. Orientações mais detalhadas para criar este espaço são encontradas na Norma ISO 8589.
  • As cabines individuais de testes possibilitam total concentração do avaliador. Elas devem ser de cor clara e neutra para não influenciar na aparência do produto avaliado. Precisam ser providas de luz branca e colorida (vermelha, verde ou azul, quando necessário).
  • Uma mesa redonda é importante para treinamento e para os testes sensoriais em que o grupo necessita realizar discussão e padronização de procedimentos, caracterização de amostras de referência, treinamento e consenso entre os avaliadores, especialmente para as análises descritivas.

 

Reunir equipamentos e instrumentos básicos

  • Mesmo que cada aplicação exija equipamento específico, de modo geral, para a condução dos trabalhos de análise sensorial, são necessários equipamentos para o preparo e armazenamento de amostras (como fornos, cooktops, micro-ondas, refrigeradores, freezers, processadores de alimentos, facas e máquinas de corte); instrumentos e aparelhos (termômetros, cronômetros, balanças, balões, dispositivos para manter a temperatura especificada da amostra, etc), limpeza (máquinas de lavar e purificadores de água); além de materiais para servir as amostras (bandejas, recipientes de porcelanas ou materiais descartáveis, talheres, copos, guardanapos), bem como para proteger, transportar e/ou armazenar as amostras (caixas térmicas, embalagens plásticas ou laminadas). São necessários também materiais para codificar as amostras (marcadores ou etiquetas).

 

Definir métodos sensoriais adequados para cada processo/objetivo

  • É importante definir os métodos sensoriais que serão aplicados na estrutura de análise sensorial. Dentro de uma diversidade de opções, selecionamos três principais: os discriminativos; os descritivos; e os afetivos, chamados também de testes de consumo. Confira mais informações sobre cada um dos métodos:

Discriminativos – Estabelecem diferenças qualitativas e/ou quantitativas entre amostras, os mais utilizados são: comparação pareada, triangular, ordenação e comparação múltipla.

Descritivos – Descrevem qualitativa e/ou quantitativamente as amostras nos quesitos aparência, odor, sabor e propriedades de textura. Os mais utilizados são: perfil de sabor, perfil de textura e perfil descritivo quantitativo.

Afetivos – Expressam a opinião pessoal do consumidor. Os mais utilizados são: preferência pareada, ordenação de preferência, aceitação por escala hedônica e aceitação por escala de atitude.

 

Montar um painel sensorial com diferentes tipos de avaliadores

– Um painel de análise sensorial (equipe de avaliadores) é um verdadeiro “instrumento de medida”. Por isto, é importante fazer um recrutamento cuidadoso de pessoas dispostas a participar do painel. A análise sensorial pode ser realizada através de três tipos de avaliadores:

  • Os avaliadores sensoriais: todas as pessoas que participam de um teste sensorial.
  • Os avaliadores sensoriais selecionados: definidos por sua capacidade de realizar um teste sensorial.
  • Os avaliadores sensoriais especialistas: selecionados por demonstrada sensibilidade, com treinamento e experiência ​​em testes sensoriais. Capazes de fazer avaliações sensoriais consistentes e repetitivas de diversos produtos.

 

Treinar pessoas para uniformizar linguagem e interpretação

  • Para obter uma avaliação sensorial eficaz, é importante treinar os avaliadores para que possam utilizar uma linguagem comum e uma correta interpretação dos resultados. Recomenda-se que o treinamento seja dividido em etapas distintas para: desenvolvimento da linguagem; detecção, descrição e percepção de diferenças de intensidades; e memorização e/ou teste de identificação.
  • Nas normas ISO 8586, 22935-1 e 11036 há recomendações sobre o processo de seleção e treinamento de avaliadores como um guia geral, para lácteos e para textura.

Implementar e investir na estrutura de análise sensorial tem sido uma aposta estratégica das indústrias de alimentos e bebidas para lançar no mercado produtos que atendam às expectativas dos consumidores mais exigentes e com sede de novas experiências, assegurando, assim, sucesso nas gôndolas.

E para você, a análise sensorial é uma aliada estratégica para as indústrias de alimentos e bebidas? Sua empresa explora o amplo potencial de contribuição desta ferramenta ou ainda tem muito a avançar? Conte para nós!

Veja mais

DEIXE UM COMENTÁRIO

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui
Captcha verification failed!
Falha na pontuação do usuário captcha. Por favor, entre em contato conosco!