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Pegadas de carbono e saúde do planeta: as tendências em sustentabilidade que a indústria de alimentos precisa acompanhar de perto

Cada vez mais preocupados com as mudanças climáticas, os consumidores esperam que empresas sejam protagonistas na preservação e recuperação do meio ambiente.


A sustentabilidade está no topo da agenda em todos os relatórios das empresas de inteligência e estudo de mercado sobre as tendências para 2022 e para os próximos anos. A preocupação com o futuro e os impactos do consumo no meio ambiente são assuntos predominantes nessas análises, indicando como a percepção dos consumidores sobre o tema tem avançado.

Segundo a Innova Market Insights, a principal tendência para este ano é o Planeta Compartilhado, sobre a responsabilidade conjunta em assegurar a saúde do planeta e baseada, ainda, na confiança e na transparência para construir a história de vida de um produto. 

Para a Euromonitor, os consumidores estão se conscientizando de sua contribuição individual para as mudanças climáticas. A eco-ansiedade está impulsionando não só o ativismo ambiental, mas as decisões de compra.

Por outro lado, a expectativa agora vai muito além dos produtos ‘verdes’. De acordo com a Euromonitor, 67% dos consumidores globais tentaram impactar positivamente o meio ambiente por meio de suas ações cotidianas em 2021, e eles demandam a mesma postura das empresas.

A preocupação com as pegadas de carbono também aparece com destaque nesses relatórios. As consequências dos efeitos do clima colocaram o assunto em foco sob o grande guarda-chuva da sustentabilidade.  

Em 2021, um terço dos consumidores globais disse que reduziu ativamente suas emissões e um quarto usou compensações de carbono para equalizá-las, aponta o relatório da Euromonitor. Por isso, os Climate Changers, como são chamados esses consumidores, fazem escolhas mais sustentáveis ​​enquanto exigem ação e transparência das marcas.

Para a Mintel, após a pandemia de Covid-19, uma crescente afinidade com a natureza levou a um maior desejo de proteger a saúde pessoal e planetária. No entanto, à medida que os consumidores têm mais fé no poder do coletivo, eles esperam que as marcas das quais compram assumam fortes compromissos com a energia renovável e ciclos de vida de produtos sustentáveis, como, por exemplo, os alimentos reciclados.

De olho nas pegadas de carbono 

É consenso que o ativismo verde e os estilos de vida de baixo carbono chegaram para ficar. Por isso, segundo a Euromonitor, um dos caminhos para conquistar os consumidores Climate Changers é oferecer produtos certificados pela pegada de carbono. 

Empresas de alimentos e bebidas começaram a ajustar seu portfólio para atender a demanda crescente em torno da neutralidade de carbono, desenvolvendo produtos que deixam a menor quantidade possível de pegadas no planeta. 

Em sua pesquisa de tendências para 2022, a Mintel destaca que os consumidores procuram adquirir novas habilidades para diminuir os impactos individuais, reduzindo, reutilizando e reciclando produtos. Eles também buscam consumir itens ecologicamente corretos que tornam o conceito de pegada de carbono mais tangível.

Segundo a empresa, nos próximos anos, varejistas e governos terão oportunidade de criar padrões que facilitem o entendimento dos consumidores sobre as alegações ambientais. Afinal, os consumidores com responsabilidade ambiental e adeptos de um estilo de vida sustentável vão procurar por produtos que sejam transparentes sobre o modo de produção, transporte e outros fatores que ajudam a neutralizar as emissões de carbono. As pessoas vão querer saber, ainda, se compensações ou reduções reais nas emissões foram usadas, reforça a Mintel. É por isso que confiança e transparência serão cada vez mais pontos-chave para os consumidores fazerem escolhas mais conscientes e para as marcas comunicarem suas iniciativas. 

A inovação digital já está reformulando a forma como varejistas, fabricantes e consumidores fazem a transição para uma era de transparência ambiental, com rotulagem digital e aplicativos de rastreamento, por exemplo. São recursos que ajudam a avaliar diferentes aspectos da cadeia de produção do alimento que serão levados para casa, incluindo as pegadas de carbono.

Por outro lado, é importante mencionar que tornar esses alimentos e bebidas mais acessíveis é um desafio, como aponta a Euromonitor. Os custos com inovação sustentável, redesenho de produtos, flutuações na cadeia de suprimentos e certificações resultam em aumentos de preços para a indústria de alimentos.

Consumidores esperam que empresas atuem como aliadas do planeta

Os consumidores entendem, cada vez mais, que a energia e os métodos de produção que uma empresa utiliza impactam sua proposta de sustentabilidade – por isso, a questão do carbono zero surge como uma unanimidade nos relatórios de tendências, juntamente com outros fatores ligados à temática sustentável.

Além disso, de acordo com a Mintel, nos próximos anos, os consumidores vão reconhecer de forma ainda mais acentuada o papel vital desempenhado pelas corporações na proteção do planeta. Para 71% dos consumidores brasileiros, já existe a percepção de que as marcas podem mudar a sociedade para melhor. Os consumidores esperam que as empresas adotem iniciativas como regeneração de recursos e reparação de danos acumulados ao longo dos anos, com ações que levem em conta um contexto macroambiental e social. 

As mudanças climáticas são um problema a ser enfrentado em várias áreas nas quais as marcas podem se concentrar. Desenvolver ações com objetivos claros, que envolvam marcas, consumidores e outros parceiros, pode ajudar a conectar pessoas e empresas de alimentos e bebidas a soluções autênticas e com resultados tangíveis. 

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