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Tendências da Naturaltech 2026: o que a indústria de alimentos deve observar

O consumidor parou de comprar suplemento. Ele está comprando comida que funciona. Essa frase resume o que ficou mais evidente na Naturaltech 2026 e ela aparece em produtos concretos, não em projeções.

Risoto com 20 gramas de proteína, ciabatta proteica sem conservantes, refrigerante prebiótico, bananinha com creatina e snack de feijão com arroz integral. A diversidade de produtos e tendências da Naturaltech 2026 revela um mercado funcional cada vez mais integrado às escolhas alimentares do dia a dia.

Proteínas, fibras, creatina, prebióticos, vitaminas e compostos bioativos continuam orientando lançamentos. A novidade está na variedade de categorias, formatos e ocasiões de consumo em que esses componentes aparecem. Refeições, bebidas gaseificadas, snacks salgados, pães, massas, chás e alimentos inspirados na cultura brasileira incorporam atributos antes concentrados em suplementos.

Essa foi uma das principais percepções registradas por Augusto Ichisato, Engenheiro de Alimentos e fundador da FoodBrasil, convidado pela DR Aromas & Ingredientes para realizar uma cobertura técnica exclusiva da Naturaltech 2026 — o maior evento da América Latina voltado exclusivamente a produtos naturais. Durante quatro dias ele fotografou, provou e analisou mais de 104 produtos, incluindo lançamentos avaliados no WELLNOW Awards.

A partir dessa análise, reunimos as principais tendências da Naturaltech 2026 e os aspectos que merecem atenção das equipes de Pesquisa & Desenvolvimento, inovação e compras da indústria de alimentos e bebidas.

Naturaltech 2026: um panorama das principais tendências

Augusto Ichisato em evento usando boné.

Realizada entre 10 e 13 de junho, no Distrito Anhembi, em São Paulo, a 20ª edição da Naturaltech reuniu 63 mil visitantes de 53 países, 800 marcas expositoras, mais de 1.500 lançamentos e mais de 100 horas de programação.

Os números divulgados pelo site oficial da Naturaltech ajudam a dimensionar a relevância do evento para o mercado latino-americano de produtos naturais, orgânicos, saudáveis e funcionais.

A feira também permite observar tendências em um estágio concreto de desenvolvimento. Em vez de projeções distantes, os estandes apresentam produtos formulados, produzidos e posicionados comercialmente.

Essa característica torna o evento uma fonte importante para avaliar como demandas de consumo estão sendo traduzidas em ingredientes, tecnologias, embalagens e novas propostas de valor.

Na cobertura realizada por Augusto Ichisato, a repetição de determinados atributos em diferentes categorias revelou movimentos consistentes.

Funcionalidade incorporada à alimentação cotidiana, diversificação dos formatos proteicos, avanço das bebidas prebióticas, evolução do clean label e valorização técnica de ingredientes brasileiros estiveram entre os destaques.

Indo além de observar ingredientes isoladamente, a análise dos lançamentos mostra como sabor, textura, praticidade, estabilidade e comunicação participam da construção de produtos funcionais com potencial de conquistar espaço na rotina.

Alimentos funcionais ganham espaço no consumo diário: as principais categorias 

Grupo almoçando risoto de cogumelos com salada e petiscos

Por muitos anos, suplementos em pó, cápsulas, sachês e barras concentraram grande parte das propostas relacionadas à proteína, à creatina, às fibras e a outros ingredientes funcionais.

Esses formatos continuam relevantes, mas dividem espaço com alimentos e bebidas reconhecidos pelo consumidor como parte de uma refeição, um lanche ou um momento de hidratação.

Os registros da Naturaltech 2026 mostram que a funcionalidade pode ser oferecida por meio de formatos familiares, capazes de preservar rituais e referências sensoriais importantes.

Para o consumidor, isso significa acessar benefícios específicos sem depender sempre de um momento exclusivo de suplementação. Para a indústria, abre-se um campo amplo de desenvolvimento, acompanhado por desafios adicionais de formulação e processamento.

Refeições que combinam nutrição, praticidade e familiaridade

Prato de risoto, macarrão instantâneo e caldos proteicos

Entre os exemplos observados durante a cobertura está o risoto da Holyfoods, preparado com arroz arbóreo, shiitake e camarão desidratado. Em uma porção de 120 gramas, o produto oferece 20 gramas de proteína e utiliza o formato cup para facilitar o preparo.

O interesse técnico desse lançamento está na combinação entre um prato reconhecível, aporte proteico e conveniência. O consumidor encontra elementos associados a uma refeição completa, como sabor salgado, textura, uso de talheres e sensação de saciedade, em um produto adequado a rotinas com pouco tempo disponível.

A Konjac Massas MF também explora uma categoria amplamente conhecida. A marca apresentou uma massa à base de glucomanano, com presença de fibra viscosa, teor reduzido de carboidratos, sem glúten e com versões proteicas de preparo rápido. O formato reduz a necessidade de ensinar um novo ritual de consumo, pois utiliza como referência uma refeição já incorporada aos hábitos do público.

Outro exemplo é o Roti, da Gheek, um caldo concentrado de carnes obtido por um processo de 48 horas. As diferentes versões entregam entre 12 e 32 gramas de proteína. Nesse caso, a proposta funcional está relacionada tanto à matéria-prima quanto ao modo de preparo, valorizando concentração, processo e composição nutricional.

Os três produtos apontam oportunidades para refeições prontas e semiprontas capazes de reunir densidade nutricional, praticidade e experiência sensorial. O desenvolvimento, porém, precisa considerar solubilidade, reidratação, consistência, estabilidade dos componentes e preservação do perfil de sabor ao longo da vida útil.

Snacks proteicos: novos sabores ampliam as ocasiões de consumo 

Snacks saudáveis e barra proteica vegana

A proteína também ganhou presença expressiva em snacks salgados. Belive, SaltyWay, Fit Bar e Zaya figuraram entre as marcas observadas na feira, indicando que a categoria já reúne propostas variadas, em vez de depender exclusivamente de barras doces e produtos com chocolate ou pasta de amendoim.

A Belive apresentou um snack proteico para consumo fora de casa, sem glúten, sem lactose e sem adição de açúcares. Além da composição, o produto utiliza linguagem visual e formato próximos aos snacks convencionais. Essa aproximação é relevante porque a decisão de compra envolve a expectativa de sabor, crocância e conveniência antes mesmo da leitura detalhada da tabela nutricional.

A granola salgada da Tia Sônia, apresentada nos sabores Francesa e Nordestina, amplia ainda mais as aplicações possíveis. O produto pode acompanhar saladas, sopas, lanches e refeições, criando ocasiões diferentes das tradicionalmente associadas à granola doce.

Para P&D, o avanço dos snacks proteicos salgados exige atenção ao equilíbrio entre teor proteico e qualidade sensorial.

Certas fontes de proteína podem interferir no sabor, na dureza, na expansão, na crocância e na sensação residual. A escolha de aromas, condimentos, agentes de textura e parâmetros de processo precisa considerar essas interações desde as primeiras etapas do projeto.

Bebidas proteicas exigem precisão técnica na formulação

Linha de bebidas funcionais: água mineral, proteína e chá

Mamba Water, Mineral Pro e Campo Largo, com o Oh!Tea, demonstraram como proteínas e outros atributos funcionais também chegam a bebidas de consumo cotidiano. O formato pronto para beber oferece conveniência e pode alcançar consumidores que não se identificam com a preparação tradicional em coqueteleiras.

Incorporar proteína a uma bebida, entretanto, demanda controle rigoroso. Solubilidade, turbidez, precipitação, sedimentação, adstringência e sabor residual podem comprometer a aceitação. O comportamento da proteína também varia conforme pH, tratamento térmico, interação com minerais, presença de outros ingredientes e tempo de armazenamento.

A quantidade declarada no rótulo, portanto, representa apenas uma dimensão do desenvolvimento. A formulação precisa manter homogeneidade, estabilidade e uma experiência sensorial agradável até o final do shelf life. O tipo de embalagem e as condições de distribuição também influenciam esse resultado.

Leia também: Bitters para bebidas: como o amargor está transformando a experiência sensorial

Creatina: formatos mais convenientes chegam ao mercado

Suplementos em pote, barra de creatina e creme de avelã

A creatina esteve presente em aplicações diferentes do pó tradicional. A Latamfit apresentou uma bananinha com creatina, enquanto a Luckau levou à feira o Wake Up, produto que incorpora o ativo a um formato com sabor e ocasião de consumo definidos.

O Creathinex Mulher, da ADA, combinou creatina com colágeno Verisol®, silício orgânico, ácido hialurônico e vitaminas em uma proposta direcionada ao público feminino. O lançamento também integra um movimento de segmentação por necessidades e fases de vida, observado em outras áreas da feira.

A incorporação da creatina a alimentos amplia a conveniência, mas requer uma análise criteriosa da matriz escolhida. Estabilidade, dosagem, uniformidade de distribuição, umidade, acidez e condições de processamento podem afetar o ingrediente e a consistência do produto final.

A combinação com vários componentes funcionais também precisa ter finalidade clara, compatibilidade técnica e comunicação responsável.

Refrigerantes prebióticos unem saúde digestiva e prazer

Latas de refrigerante prebiótico e ginger ale funcional

Wondr e Beba Jamu apresentaram refrigerantes prebióticos com propostas bem definidas. A Wondr trabalha diretamente o conceito de soda funcional, enquanto a Beba Jamu oferece um ginger ale prebiótico com vitamina C. As duas marcas chegaram à feira com produto, marca e proposta de consumo já estruturados, não se trata de uma projeção do que pode existir, mas de uma categoria que já está em movimento no Brasil.

Esses lançamentos inserem o cuidado com a saúde digestiva em uma bebida gaseificada e refrescante, adequada a momentos sociais e ocasiões em que o consumidor normalmente escolheria um refrigerante. Essa combinação pode favorecer a experimentação, desde que a proposta funcional não prejudique o sabor ou torne o consumo excessivamente técnico.

A adição de fibras a bebidas ácidas e carbonatadas envolve desafios de dispersão, estabilidade, viscosidade, dulçor e sensação na boca. A escolha do tipo e da quantidade de fibra também deve considerar tolerância gastrointestinal e atendimento aos requisitos regulatórios aplicáveis às alegações.

Carbonatação, aromas e perfil de acidez precisam atuar de maneira equilibrada. Um benefício funcional relevante não compensa uma experiência sensorial inadequada, principalmente em uma categoria marcada por expectativas claras de refrescância e prazer.

Clean label: o que muda nas formulações de alimentos

Mulher comparando embalagens de produtos congelados no supermercado

A busca por formulações percebidas como mais simples e reconhecíveis permanece importante, mas os lançamentos da Naturaltech 2026 evidenciam uma compreensão mais abrangente do conceito. O trabalho não se concentra somente na retirada ou substituição de ingredientes.

Processamento, embalagem, controle microbiológico, logística e shelf life participam diretamente da viabilidade de uma proposta clean label. Ou seja: o consumidor quer que a indústria faça muito mais para parecer que fez menos.

A Leviassa apresentou uma ciabatta proteica sem conservantes. Para que um produto como esse preserve segurança, sabor e textura durante o período de validade, a indústria precisa combinar formulação, processo térmico e tecnologia de embalagem. A embalagem assume uma função ativa na conservação, integrando o projeto desde suas etapas iniciais.

A Nobars também apareceu na cobertura associada à busca por listas mais curtas e soluções que exigem atenção ao desempenho durante a vida útil. Quanto menor a participação de conservantes convencionais, maior pode ser a necessidade de controle sobre atividade de água, exposição ao oxigênio, barreira da embalagem, temperatura, higiene industrial e variações do processo.

Isso amplia a responsabilidade das equipes envolvidas. Compras precisa avaliar não apenas o nome e a origem dos ingredientes, mas sua consistência, funcionalidade e interação com o sistema completo. P&D precisa validar segurança e estabilidade sem prejudicar as características sensoriais.

Produção e qualidade precisam assegurar que o resultado obtido em escala piloto seja repetível no ambiente industrial.

O clean label, portanto, demanda integração entre diferentes áreas. Uma formulação mais enxuta só se mantém competitiva quando oferece vida útil compatível com a operação, segurança microbiológica, desempenho industrial e qualidade sensorial durante todo o período de comercialização.

Ingredientes brasileiros ganham protagonismo nas formulações funcionais 

Grãos de feijão carioca ao lado de jabuticabas frescas

A biodiversidade e a cultura alimentar brasileira aparecem com frequência na comunicação de produtos naturais. Na Naturaltech 2026, diversos lançamentos avançaram na aplicação prática desses elementos, incorporando matérias-primas, sabores e hábitos locais à própria estrutura da formulação.

A Glulac apresentou uma tirinha feita com feijão e arroz integral, combinação profundamente ligada à alimentação brasileira, em um snack portátil com 96 calorias e sem conservantes. A proposta traduz uma referência cotidiana para uma nova textura e uma ocasião de consumo compatível com rotinas fora de casa.

A Sabarabuçu levou geleia e refrigerante de jabuticaba, explorando uma fruta brasileira em categorias distintas. A Devi apresentou chás e produtos funcionais elaborados com ervas brasileiras.

A Weshot também integrou ingredientes de identidade local a propostas voltadas a necessidades específicas de consumo.

Esses exemplos demonstram que a origem pode contribuir simultaneamente para sabor, narrativa, diferenciação e funcionalidade. Para alcançar esse resultado, a indústria precisa compreender a matéria-prima além de seu apelo regional.

Variações sazonais, concentração de compostos, perfil sensorial, estabilidade, rastreabilidade e capacidade de fornecimento influenciam sua aplicação em escala.

A padronização é especialmente relevante quando o ingrediente está associado a compostos bioativos ou a uma alegação específica. Manter consistência entre lotes oferece maior previsibilidade para a formulação e reduz variações de cor, aroma, sabor e desempenho.

O uso tecnicamente estruturado de ingredientes brasileiros também favorece produtos com identidade própria. Em vez de reproduzir referências internacionais, as marcas podem desenvolver soluções conectadas aos hábitos, sabores e matérias-primas disponíveis no país.

Chás e cogumelos funcionais: as novas possibilidades 

Mãos segurando xícara de vidro com chá quente

Os 28 expositores de chá formaram o maior bloco entre as bebidas presentes na Naturaltech 2026. Marcas como AbChá, Charoma, Tea Shop, Talchá, Moncloa, Leão e Felicitea demonstraram a diversidade de uma categoria já conhecida pelo público brasileiro.

Essa familiaridade abre espaço para ampliar atributos e ocasiões. Brazo e MUD apresentaram propostas que aproximam o chá de adaptógenos e outros componentes funcionais.

Bebidas prontas para beber, versões gaseificadas, formulações com prebióticos e combinações voltadas a diferentes momentos do dia também representam caminhos possíveis para inovação.

A ampliação da funcionalidade precisa preservar a identidade sensorial da categoria. Compostos ativos podem acrescentar amargor, adstringência, turbidez ou notas residuais. A seleção de bases, extratos, aromas e sistemas de dulçor deve manter o caráter do chá e oferecer uma experiência coerente com a expectativa do consumidor. Muita inovação fracassa exatamente aí: ao tentar entregar mais função, perde o sabor que justifica o ritual.

Cogumelos funcionais também apareceram nos registros da feira por meio de marcas como Musshin, Empório Fit e Kote Skincare. Ingredientes como Lion’s Mane, Cordyceps e Reishi ganham visibilidade, frequentemente incorporados a cafés e chás, cujos rituais já fazem parte da rotina.

A categoria ainda exige educação e transparência. Origem do ingrediente, uso do corpo de frutificação ou do micélio, método de extração, concentração e padronização de beta-glucanas são aspectos relevantes para a qualidade. Nas aplicações, controle de amargor, dispersão e precipitação interfere diretamente na aceitação e na estabilidade.

Leia também: Extratos aquosos de chá: como criar bebidas com inovação sensorial, funcionalidade e novos formatos

Formulações personalizadas: alimentos funcionais para necessidades específicas

Pipeta de laboratório gotejando extrato.

A cobertura dos produtos e tendências da Naturaltech 2026 também identificou formulações para necessidades mais delimitadas do público feminino.

Além do Creathinex Mulher, a Ovacare apresentou uma combinação de myo-inositol, ácido fólico e vitamina D, em sachê de dose diária, com posicionamento relacionado à saúde ovariana e à síndrome dos ovários policísticos. A Ponto Água Beleza levou uma bebida portátil com colágeno hidrolisado, vitamina C e biotina.

O movimento revela maior atenção à composição, à dose e à fase de vida para a qual o produto é desenvolvido. Formulações genéricas acompanhadas apenas por códigos visuais associados ao universo feminino tendem a oferecer pouca diferenciação diante de consumidoras que buscam informações mais claras e benefícios compatíveis com suas necessidades.

Para a indústria, a segmentação exige conhecimento técnico, responsabilidade regulatória e cuidado na comunicação. A escolha de cada ingrediente deve considerar sua finalidade na formulação, compatibilidade com os demais componentes, estabilidade e respaldo para as alegações apresentadas.

Outro recorte identificado na feira foi o desenvolvimento de propostas relacionadas às mudanças alimentares associadas ao uso de medicamentos GLP-1. A PINC Bar apareceu entre os produtos com posicionamento direcionado a esse público, indicando que um comportamento já observado em outros mercados começa a influenciar formulações e estratégias de comunicação no Brasil.

A oportunidade exige cautela técnica e regulatória, especialmente na definição da composição nutricional e na comunicação de benefícios, para evitar qualquer associação indevida entre o alimento e o tratamento médico.

Para essas formulações a experiência de consumo continua relevante. Produtos voltados a necessidades específicas também precisam oferecer sabor, conveniência, facilidade de preparo e formatos adequados à rotina. Esses fatores influenciam adesão e recompra tanto quanto a proposta funcional.

Leia também: Qual o impacto dos medicamentos GLP-1 na indústria de alimentos?

O que as tendências da Naturaltech 2026 representam para o P&D de alimentos e bebidas

Equipe de cientistas analisando gráficos em painel digital

Quando os produtos são analisados em conjunto, três frentes se destacam: refeições funcionais, refrigerantes prebióticos e snacks salgados com proteína ou fibras. Elas reúnem benefícios valorizados pelo consumidor em formatos conhecidos e com oportunidades de consumo recorrente.

Ao mesmo tempo, essas tendências ampliam a complexidade dos projetos. A inclusão de um ingrediente funcional interfere em diferentes características da matriz, enquanto propostas clean label podem transferir parte da demanda técnica para processos, embalagens e controles industriais. Transformar uma ideia observada na feira em um produto viável exige uma visão integrada.

Funcionalidade e sabor: por que precisam ser desenvolvidos em conjunto

Proteínas, fibras, extratos botânicos, cogumelos e minerais podem modificar sabor, aroma, dulçor, adstringência e sensação residual. O trabalho sensorial não deve ser tratado somente como uma correção realizada ao final do projeto.

A seleção do ingrediente funcional e a construção do perfil de sabor precisam avançar de forma coordenada. Aromas, moduladores, mascaradores, sistemas de dulçor e condimentos podem contribuir para equilibrar notas indesejadas, preservar a identidade da categoria e criar uma experiência compatível com a proposta do produto.

Textura e estabilidade: os desafios técnicos que definem a viabilidade

O aumento do teor proteico pode alterar viscosidade, expansão, maciez e solubilidade. Fibras podem modificar corpo, absorção de água e tolerância digestiva. Extratos vegetais podem interferir na cor, na adstringência e na estabilidade ao longo do armazenamento.

Cada matriz responde de maneira diferente. Uma solução adequada para bebida pode não apresentar o mesmo desempenho em pão, snack ou refeição pronta. Testes de aplicação, estudos de shelf life e avaliações sensoriais são essenciais para compreender essas interações antes da produção em escala.

Conveniência depende de desempenho técnico na formulação

Produtos prontos para beber, cups de preparo rápido, snacks portáteis e sachês individuais precisam funcionar nas condições reais de consumo. Reidratação incompleta, formação de grumos, sedimentação, perda de crocância ou embalagens difíceis de utilizar reduzem o valor da conveniência prometida.

O formato deve ser avaliado juntamente com formulação, processo e embalagem. Essa integração ajuda a garantir facilidade de uso sem comprometer segurança, qualidade ou percepção sensorial.

Escolha de ingredientes e escala industrial: o desafio da produção em larga escala

Para compras e P&D, a disponibilidade de ingredientes precisa ser analisada em conjunto com padronização, rastreabilidade, documentação técnica e capacidade de fornecimento. Uma matéria-prima diferenciada só se torna uma opção industrial consistente quando mantém qualidade e desempenho entre lotes.

O escalonamento também pode alterar características obtidas em laboratório. Tempo de mistura, cisalhamento, temperatura, ordem de adição e equipamentos disponíveis influenciam o resultado. A participação de fornecedores com conhecimento de aplicação contribui para antecipar riscos e reduzir ajustes durante a industrialização.

Da Naturaltech 2026 ao produto final: como transformar tendência em formulação viável

Eventos como a Naturaltech permitem acompanhar como movimentos de consumo ganham expressão em produtos reais. A edição de 2026 mostrou uma oferta funcional mais diversificada, incorporada a refeições, bebidas, snacks e outras categorias presentes no cotidiano.

A cobertura exclusiva realizada por Augusto Ichisato para a DR também evidenciou que proteína, fibras, creatina e prebióticos continuam relevantes, mas dividem atenção com critérios igualmente importantes: sabor, textura, conveniência, estabilidade, identidade e clareza de propósito.

Para a indústria, as oportunidades estão na capacidade de desenvolver esses atributos de forma coordenada. Um produto funcional precisa entregar a composição proposta, resistir às condições de processamento, manter desempenho durante o shelf life e proporcionar uma experiência que favoreça sua inclusão na rotina.

Na DR, acompanhamos os movimentos do mercado e trabalhamos ao lado das equipes de P&D na construção de soluções aplicáveis a diferentes categorias. Nossa experiência centenária em aromas, ingredientes, extratos botânicos e tecnologias para alimentos e bebidas nos permite apoiar projetos desde a definição do perfil sensorial até os desafios de estabilidade, textura e performance industrial.

As tendências da Naturaltech 2026 oferecem um repertório relevante para novos projetos. Transformá-las em produtos consistentes exige conhecimento técnico, leitura de mercado e desenvolvimento colaborativo.

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